"O julgamento é feio
- ele fere as pessoas. Por um lado, você vai machucando, ferindo-as; e por
outro lado, você quer o amor delas, seu respeito. Isso é impossível. Ame-as,
aceite-as e, talvez, seu amor e respeito possam ajudá-las a mudar muitas de suas
fraquezas, muitas de suas falhas - porque o amor lhes dará uma nova energia, um
novo significado, uma nova força. O amor lhes dará novas raízes para se
erguerem contra os ventos fortes, um sol quente, a chuva forte."
"As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos, há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem... O ato de ver não é coisa natural, precisa ser aprendido!" (Rubem Alves)
segunda-feira, 17 de junho de 2013
A GENTE SE ACOSTUMA...
Eu sei que a gente se acostuma, mas não
devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de
fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem
vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo
se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas,
logo se acostuma a acender mais cedo à luz. E, à medida que se acostuma, se
esquece do sol, se esquece do ar, esquece-se da amplidão. A gente se acostuma a
acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque
não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus
porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A
gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a
guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os
números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as
negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa
duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje
não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser
ignorado quando precisa tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por
tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a
ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que
as coisas valem. E, a saber, que cada vez pagará mais. E a procurar mais
trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se
cobra. A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as
revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao
cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado
na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição, às
salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de
ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água
potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Acostuma-se a
não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a
não ter sequer uma planta por perto. A gente se acostuma a coisas demais
para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma
dor aqui, um sentimento ali, uma revolta lá. Se o cinema está cheio, a gente
senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada,
a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a
gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito
que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito
sono atrasado. A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a
pele. Acostuma-se para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da
baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar,
se perde de si mesma.
(Marina Colassanti)
DEUS E A BELEZA...
A tenda do Mestre
Benjamim estava cheia. Uma velhinha de voz trêmula pele cheia de rugas lhe pediu:
Mestre, fale-nos sobre Deus... “
Mestre Benjamim fez silêncio. Olhou para o
vazio. Vagarosamente um sorriso foi-se abrindo.
“Quantas pessoas aqui, na minha tenda, estão
pensando no ar? Por favor, levantem uma mão...”
Ninguém levantou a mão.
“Ninguém levantou a mão... Ninguém está pensando no
ar. Ninguém sabe direito o que é o ar. E, no entanto, todos nós o estamos
respirando. O ar é a nossa vida e não precisamos pensar nele nem dizer o seu
nome para que ele nos dê vida. Mas o homem que se afoga no fundo das águas só
pensa no ar. Deus é assim. Não é preciso pensar nele e pronunciar o seu nome.
Ao contrário, quando se pensa nele o tempo todo é porque está se afogando...
“Que
desejamos para os nossos filhos? Que eles sejam felizes. Sorrimos ao vê-los por
aí a correr, a pular, a cantar, a brincar, pensando nas coisas de criança. Mas
enquanto brincam e riem eles não pensam em nós. Se um filho ao se levantar
viesse até você e o elogiasse, e agradecesse porque você lhe deu a vida e
jurasse amor para sempre, e fizesse a mesma coisa na hora do almoço, e
repetisse os mesmos gestos e palavras ao meio da tarde, e de noite fizesse tudo
de novo, suspeitaríamos de que alguma coisa não está bem. O que desejamos é que
eles gozem a vida sem pensar em nós. Quem pensa demais e fala demais sobre Deus
é porque não o está respirando.
Fez-se silêncio. Foi quando uma lufada de vento
entrou pela tenda, fazendo balançar a lâmpada de óleo que pendia do teto.
“ Deus é como o vento. Sentimos na pele quando ele
passa, ouvimos a sua música nas folhas das árvores e o seu assobio nas gretas
das portas. Mas não sabemos de onde vem nem para onde vai. Na flauta o vento se
transforma em melodia. Mas não é possível engarrafá-lo. Mas as religiões tentam
engarrafá-lo em lugares fechados a que eles dão o nome de “casa de Deus”. Mas
se Deus mora numa casa estará ele ausente do resto do mundo? Vento engarrafado
não sopra...”
Ouviu-se então o pio distante de uma coruja.
“Deus é como um pássaro encantado que nunca se vê.
Só se ouve o seu canto...” “Deus é uma suspeita do nosso coração de que o
universo tem um coração que pulsa como o nosso. Suspeita... Nenhuma certeza.
Deus nos deu asas. Mas as religiões inventaram gaiolas.
Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves dos
céus, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cricri
rítmico, é uma música do Grande Mistério.
É preciso esquecer os nomes de Deus que as
religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida.
Não precisamos dizer o nome “rosa” para sentir o
seu perfume.
”Não precisamos dizer o nome “mel” para sentir a
sua doçura.
“Muitas pessoas que jamais pronunciam o nome de
Deus o conhecem como reverência pela vida”.
“Há pessoas que se sentem religiosas por acreditar
em Deus. De que vale isso? Os demônios também acreditam e estremecem ao ouvir o
seu nome (Tiago 2.19). “A pergunta não deveria ser” Você acredita em Deus? Mas
‘Você se comove com a beleza? Deus nunca foi visto por ninguém. Ele se mostra
na experiência da beleza.
“Os homens
religiosos procuram Deus no invisível e no mundo após a morte”. Quando alguém
morre, eles repetem como consolo: ’Deus o levou para si’. Então, enquanto vivo,
ele estava distante de Deus? Deus é Deus dos mortos ou Deus dos vivos? Deus não
mora no mundo, passeia pelo jardim. Deus é beleza. E se ele ama o que é feio é
só para torná-lo belo... Por isso ele ama os desertos: porque neles se escondem
as fontes...
“Quer ver Deus”? Veja a beleza do sol que se põe,
sem pensar em Deus.
“Quer ouvir Deus? Entregue-se à beleza da música,
sem pensar em Deus.
“Quer sentir o cheiro de Deus? Respire fundo o
cheiro do jasmim, sem pensar em Deus.
Quer saber como é o coração de Deus? Empurre uma
criança num balanço, porque Deus tem um coração de criança, sem pensar em Deus.
“Há beleza
demais no universo. Mas o tempo vai nos roubando as coisas que amamos. Vai-se o
arbusto, vai-se a montanha. Vão-se os riachos cristalinos, vão-se as pessoas
amadas, vamos nós... O tempo é um monstro que devora os seus filhos. fica a
saudade. Saudade é a presença da ausência das coisas que amamos e nos foram
roubadas pelo tempo. Quando se pronuncia o nome sagrado está-se afirmando que a
beleza amada não está perdida no passado. Está escrito num poema sagrado:”
Lança o teu pão sobre as águas porque depois de muitos dias o encontrarás
(Eclesiastes 11.1). As águas dos rios são circulares, o tempo é circular, o que
foi perdido volta, um eterno retorno...Deus existe para nos curar da saudade...
“Eu gostaria de dar um conselho ‘ não sejam
curiosos a respeito de Deus, pois eu sou curioso sobre todas as coisas e não
sou curioso a respeito de Deus. Não há palavra capaz de dizer quando eu me
sinto em paz perante Deus e a morte. Escuto e vejo Deus em todos os objetos,
embora de Deus eu não entenda nem um pouquinho... Eu vejo Deus em cada uma das
24 horas e em cada instante de cada uma delas, nos rostos dos homens e das
mulheres eu vejo Deus... ’(Walt Whitman)’Sejamos simples e calmos como os
regatos e as árvores e Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como as árvores e
os regatos, e dar-nos-á verdor na sua primavera e um rio aonde ir ter quando
acabemos’(Alberto Caeiro).”
Ouvidas essas palavras, a velhinha sorriu para o
Mestre Benjamin e fez um gesto com a sua mão, abençoando-o.
(Rubem Alves)
(Rubem Alves)
terça-feira, 11 de junho de 2013
Atividade 2.1 Proinfo
Conhecendo os portais.
Sobre o Site Portal do Professor: É muito bom para conhecer os cursos que são oferecidos, as sugestões de aulas que auxiliam no planejamento, conhecimentos gerais que chamam a atenção motivando a buscar mais possibilidades de aprendizagem. Buscar exemplos de projetos, sugestões de atividades, ferramentas como vídeos que ajudam na elaboração das atividades em sala como no Portal MSN, conhecer novo sites educacionais como o Laifi que auxilia nas atividades de geografia além do Google Earth.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Atividade 1.6 Proinfo
Conto: A
Partida de Osman Lins
ROTEIRO
Nome do cursista: Lucineide
de Oliveira Lima e Rozenilda de Fátima Maciel Assunção
Projeto: Contos Dramatizados
Serie: 1º ano
Descrever: por que escolheu esse
projeto?
Observando que
na atualidade a leitura é muitas vezes relegada a um segundo plano em virtude
do crescente predomínio da imagem. No entanto, é preciso entrar em contato com
o que há de mais importante em nossa literatura, resgatando e estimulando o
contato com o texto, mantendo também o encontro com nossas origens sociais. A
leitura de relevantes autores nacionais permite compreender melhor o mundo em
que vivemos e como nela atuamos para que sejamos capazes de agir no sentido de
transformá-la.
Como foi desenvolvido?
Ø Leitura compartilhada com os alunos de
diferentes contos;
Ø Conhecer vida e obra do autor;
Ø
Trabalhar com estudos individuais e coletivos dos dados contidos nos
livros;
Ø
Executar releituras trabalhando a oralidade com expressões corporais
como forma de tornar mais concreta a aprendizagem.
Ø
Dramatizar o conto através de filmagens.
Ø
Transformar as apresentações do Power
Point em vídeos, usando o Windows
Movie Maker e publica-los no You Tube.
Quais conceitos curriculares os alunos utilizaram?
Debates, leitura
crítica e comparativa de jornais, dramatizações, visitas a biblioteca, atividades
para trabalhar o livro em sala, desenvolvendo no aluno a capacidade de pensar e
crescer.
Quais recursos tecnológicos foram utilizados?
DVD, câmera. DATASHOW,
celular, utilização do YOU TUBE para
postagem e comentários.
Cite os principais pontos positivos dessa experiência e os pontos
que suscitaram preocupações ou dúvidas.
Cada grupo se reuniu e seus
integrantes decidiram como seria feita a dramatização. Alguns optaram por
apresentar toda a história, outros apenas a parte de que mais gostaram. Palavras
desconhecidas foram surgindo, principalmente quando se tratava de autores mais
clássicos. Oportunidade que foi aproveitada para a consulta ao dicionário.
Caminhos da vida...
CAMINHOS DA
VIDA
Quando cortas a flor para ti,
começa a perdê-la
Porque murchará em tuas mãos
e não se fará semente.
Quando aprisionas o pássaro
para ti, começas a perdê-lo
Porque ele não mais cantará
no bosque para ti.
Quando guardas teu dinheiro
começas a perdê-lo
Porque o dinheiro não vale por si,
mas pelo que se pode fazer com ele.
Quando não arriscas tua liberdade para tê-la,
começas a perdê-la,
Porque a liberdade que tens se comprova
quando te atiras optando e decidindo.
Quando não deixas partir o teu filho
para a vida, começa a perdê-lo,
Porque nunca o verás voltar livre e maduro.
Não existe preço para a Liberdade,
mas uma recompensa para quem a
utiliza com desprendimento de alma
Quem Ama liberta com a certeza
da volta espontânea ao aconchego!
Aprende no caminho da vida
a paradoxal lição da experiência:
Sempre ganhas o que deixas
e perdes o que reténs.
Desejo-te todos os dias rico em:
serenidade, harmonia e compreensão
para libertar-te de sentimentos de
posse e que o amor seja o teu grande
diferencial de vida...
E viva
sempre com alegria no coração!
terça-feira, 4 de junho de 2013
A flor da honestidade...
O Príncipe Chinês...
Autor: Desconhecido
Conta-se que, por volta do ano 250 a.C., na China antiga, um príncipe estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. Então, anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria à elas um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. Mas, ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração. E disse-lhe: - Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire essa ideia da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu: - Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, e isso já me torna feliz. Chegou, então, a grande data. À noite, a jovem dirige-se ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas joias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio: - Darei a cada uma de vocês uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China. A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc. O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que, se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas, cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou sua mãe que, independente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.
Na hora marcada, lá estava ela, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada qual, porém, com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado, indicando a pobre e bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente, o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
- - - - - -
Se, para vencer, estiver em jogo a sua honestidade, perca. Você será sempre um vencedor.
Reflita sobre isso!- - - - - -Que o teu falar seja sempre: Sim, sim; não, não.O que exceder a isso provém do diabo.Mateus 5:37
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